terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O melhor de mim


Você é uma pessoa incrível, todo mundo te diz. Seus amigos te adoram, assim como muita gente que te conhece faz meia hora. Você tem um papo legal, uma cabeça boa. Você pensa. Você defende os animais. Gosta de cinema, de livros, de poesia. Seu gosto musical é bom. Você poderia escrever um livro, e apesar de não acreditar em Deus, você é uma pessoa boa. Além de tudo, você tem um coração cheio de amor para dar para alguém, você tem disposição para fazer tudo pela pessoa, você dirigiria uma hora durante a madrugada, você faria qualquer coisa por alguém.

Você é realmente uma pessoa incrível.

Mas a vida tem uma forma engraçada de te recompensar por certas coisas. Porque, com tanta gente legal para você conhecer, com tantas experiências bacanas e enriquecedoras, você esbarra justamente com alguém que vai te puxar pra baixo, te transformar no pior que você pode ser, te fazer sentir esse vazio e esse peso gigantesco que você tem que carregar sozinho.

Todos nós temos o nosso melhor lado, e eu tenho pensado muito a respeito de como eu tenho desperdiçado o meu. Por que será que a gente insiste em jogar pérolas aos porcos?

Ninguém merece ser tratado como um nada, principalmente quando você não é um nada. Ninguém merece sentir essa vontade enorme e triste de ser outra pessoa, principalmente quando a pessoa que você é vale muito.

Tem horas que a gente tem que colocar o sentimentalismo de lado, o amor do outro, e começar a usar o cérebro que nos foi dado. Por trás de toda pessoa incrível, há um ser humano. Alguém com sentimentos e méritos. Alguém com um pouco de amor próprio a zelar. Alguém que para tudo o que está fazendo pra ir te ver, e que talvez por este motivo não mereça ser praticamente mandado embora da sua casa.

Antes que você me pergunte, sim, este texto é pra você. Pela primeira vez, eu não me importei de ter vindo embora. Pela primeira vez eu não quis dar a volta no quarteirão e voltar pra sua casa. Pela primeira vez, eu acho que você não merece mais o melhor de mim, e talvez nunca tenha merecido. E saber disso é, de certa forma, libertador.

2 comentários:

Thays C. Ferreira disse...

Vícios minuciosos, que sempre nos desferem nestes ciclos, em que, totalmente vulneráveis, sofremos com o muito de realidade palpável. Como compreendo entrelinhas e entre linhas! Tanto a felicidade em não ter felicidades momentâneas, ligadas àqueles sofrimentos desumanos e sociopatas, quanto a sofrer por simplesmente não tê-las. Como digo sempre, ainda me importo, a diferença é que não me porto mais. Este texto veio em boa hora, em boas mãos, uma vez que minha vida dera giros de graus infinitos e, apenas agora, tenho certeza de quão regenerador somos e quão regeneradora a vida pode ser. E é verdade. Todas essas camuflagens possuem o nu e o cru. Liberdade é ter verdades para se prender! Novas bases, regenerações, superações e a própria liberdade. Há os que não possuem compreensão e apenas referências. Deixemos de ficar, por esperar o chá e o belo, e iremos embora com apenas um coração batendo.

Espero que isso não soe de forma pejorativa e pretensiosa, mas, muito obrigada pelo texto. Eu espero, do fundo de meu coração, ainda que você não me conheça e que eu não te conheça, que tenha te feito o mesmo bem.

Cuide-se!

André Foltran disse...

Belo texto!

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