terça-feira, 10 de novembro de 2009

O doce ódio

Eu fico dando replay nas cenas em minha mente e nada parece ter acontecido de verdade. É só como se eu tivesse tido um sonho mau ou algo assim. A imagem tinha um tom cáqui, vocês estavam se movendo lentamente, a iluminação não estava como deveria estar e eu havia esquecido minha próxima fala.
Tudo que eu me lembro é que o mundo parou de girar. As gotas de chuva finas congelaram em meio ao nada, entre as nuvens negras e o chão úmido. Eu ri e, quando me virei, vocês não estavam mais, como se alguém tivesse editado a cena dentro da minha cabeça e então dado play novamente. Não havia trilha sonora, só um zumbido agudo em meus ouvidos. As gotas atingiram o chão e eu estava confuso.
É agora que eu acordo com aquela sensação estranha? Mas não era um sonho nem um filme. Era tudo real, por mais clichê que fosse.
Eu não quis acreditar, mas estava na minha frente. Eu só queria chegar perto e dizer: "Ei, é você mesmo? Aquela pessoa para quem eu contei tudo? A pessoa em quem eu confiei, é você que está aí dentro desse corpo feliz e aquecido, com esse brilho ridículo nos olhos e essa sensação nojenta de culpa?"
Eu não precisava perguntar. Era você. E você trocou tudo o que tínhamos por uma mera vontade. Você esqueceu tudo que nós dissemos, em uma questão de segundos. E agora eu estou chupando esse ódio como se fosse uma bala muito ardida que eu não posso cuspir, porque eu não consigo abrir minha boca nem para dizer o que estou sentindo agora. Eu quero te odiar. Eu deveria te odiar. Mas eu não te odeio.
Então, eu me odeio.

3 comentários:

Anônimo disse...

E eu te amo mais do que deveria.

Mary disse...

Muito bonito, sabe eu ando passando por mesmas coisa q ti, mas além do mais estou me recuperando mais rapido do q imaginei.. Tudo passa

Patricia Mieskalo disse...

Muito bonito realmente, mesmo que seja trágico demais.

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